"Venha cá, Bobi!"
(Na realidade o cão chama-se Afonso ou Martim, mas, para maior conforto do leitor mediano, resolvi optar por um nome da esfera canina, totalmente desprovido de qualquer royalty - ou pedigree...)´
"Venha! Não vê que não há nada que ver aí em baixo? Veja! Não há nada ali em baixo que lhe interesse!"
(Surge em cena o afinal interessante 2º Bobi, acompanhado do seu não tão interessante dono. Os dois Bobis esforçam-se por travar conhecimento através do histórico cheira-cú, que nem o nome mais nobre nem o SPA canino mais chique conseguiu ainda eliminar)
"Bobi! (o primeiro) Venha daí! Vamos voltar já para casa."
"O problema é que você não deixa o seu cão conviver com mais ninguém, pá!" (reclama o companheiro do 2º Bobi)
"O problema é que você é doido e careca! Para não dizer parvo!"
A verdade, meus amigos, é que eles andam por aí... todos os dias, com o cair da noite e depois de desancar na empregada negra, eles emergem da sua gaiola dourada com vista para o Tejo para se dedicarem à ilustre tarefa de esperar por mais um movimento intestinal do seu companheiro de quatro patas. Depois, consoante sejam mais ou menos "carecas", agacham-se estoicamente para apanhar o presentinho.
Apenas uma nota final para cortar um bocadinho com este fel de casa de banho: na minha rua não há só "carecas", também existe o lisboeta de gema, o pobretanas da calça de fato de treino impermeável que viveu por cá toda a sua vida. Essa espécie também sai ao cair da noite, e vai brincar à apanhada com os pequenos depois do trânsito acalmar e eles poderem correr rua abaixo e esfolar os joelhos. Têm também o hábito incomum de dizer "Boa tarde"...
É por esta razão que, ainda que a "carequice" tenha tendência a alastrar por Lisboa, eu vou sempre amar esta cidade.
Tuesday, March 24, 2009
Poesia ao virar da esquina
"Tens cinco minutos para mim?"
"Se me deres dez minutos..."
Sou só eu, ou existe mesmo uma verdade poética nesta aparentemente inocente troca de palavras entre dois colegas de trabalho?
"Se me deres dez minutos..."
Sou só eu, ou existe mesmo uma verdade poética nesta aparentemente inocente troca de palavras entre dois colegas de trabalho?
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