Friday, April 24, 2009

The dock of my bay

Continuando com as lições de vida: música para ouvir e sentirmo-nos bem com as nossas escolhas.

"Sittin' in the morning sun,
I'll be sittin' when the evenin' come.
Watchin' the ships roll in,
Then I watch 'em roll away again.

I'm sittin on the dock of the bay,
Watchin' the tide roll away.
I'm just sittin' on the dock of the day,
Wastin' time.

I left my home in Georgia,
Headed for the Frisco bay.
I have nothin' to live for,
Look like nothin's gonna come my way.

So I'm just gonna sit on the dock of the bay,
Watchin' the tide roll away.
I'm just sittin' on the dock of the day,
Wastin' time.

Looks like nothin's gonna change;
Everything still remains the same.
I can't do what ten people tell me to do,
So I guess I'll remain the same.

Sittin' here restin' my bones,
And this loneliness won't leave me alone.
Two housand miles I roam,
Just to make this dock my home.

Now I'm just gonna sit at the dock of the bay,
Watchin' the tide roll away.
Ooh, I'm just sittin' on the dock of the bay,
Wastin' time."

And yet, I don't feel depressed, but privileged to be able to happily embrace my loneliness. Despite all the idiocy that unfortunately will always contaminate even the most conscious of souls, and the pressure of ten people telling how to fulfill my fate, I will always have my never changing little bay.
If there is something greater than us, I should thank my stubborness for never wanting to change, and continuing wasting my time.

Thank you, Otis.

Tuesday, March 24, 2009

Classe média "Xique" - Ãncóre

"Venha cá, Bobi!"
(Na realidade o cão chama-se Afonso ou Martim, mas, para maior conforto do leitor mediano, resolvi optar por um nome da esfera canina, totalmente desprovido de qualquer royalty - ou pedigree...)´

"Venha! Não vê que não há nada que ver aí em baixo? Veja! Não há nada ali em baixo que lhe interesse!"
(Surge em cena o afinal interessante 2º Bobi, acompanhado do seu não tão interessante dono. Os dois Bobis esforçam-se por travar conhecimento através do histórico cheira-cú, que nem o nome mais nobre nem o SPA canino mais chique conseguiu ainda eliminar)
"Bobi! (o primeiro) Venha daí! Vamos voltar já para casa."
"O problema é que você não deixa o seu cão conviver com mais ninguém, pá!" (reclama o companheiro do 2º Bobi)
"O problema é que você é doido e careca! Para não dizer parvo!"


A verdade, meus amigos, é que eles andam por aí... todos os dias, com o cair da noite e depois de desancar na empregada negra, eles emergem da sua gaiola dourada com vista para o Tejo para se dedicarem à ilustre tarefa de esperar por mais um movimento intestinal do seu companheiro de quatro patas. Depois, consoante sejam mais ou menos "carecas", agacham-se estoicamente para apanhar o presentinho.

Apenas uma nota final para cortar um bocadinho com este fel de casa de banho: na minha rua não há só "carecas", também existe o lisboeta de gema, o pobretanas da calça de fato de treino impermeável que viveu por cá toda a sua vida. Essa espécie também sai ao cair da noite, e vai brincar à apanhada com os pequenos depois do trânsito acalmar e eles poderem correr rua abaixo e esfolar os joelhos. Têm também o hábito incomum de dizer "Boa tarde"...

É por esta razão que, ainda que a "carequice" tenha tendência a alastrar por Lisboa, eu vou sempre amar esta cidade.

Poesia ao virar da esquina

"Tens cinco minutos para mim?"
"Se me deres dez minutos..."

Sou só eu, ou existe mesmo uma verdade poética nesta aparentemente inocente troca de palavras entre dois colegas de trabalho?

Saturday, November 22, 2008

Classe média "Xique"

"És um reles! Não sabes fazer nada! Eu quando tinha a tua idade já contribuía para a casa! E tu?! Tu nem sequer és capaz de limpar o rabo! Sim! o rabo! o cú! Ainda ontem estava outra vez uma poia enooorme da casa de banho! Uma poia! E não havia maneira de descer!"

Este é o retrato ao vivo e a cores do que se passa no prédio onde vivo, no seio de uma típica família de classe média-alta que usa fato completo, que conduz um mercedes, que vive numa casa de 300.000 euros numa zona nobre da capital. É o retrato de uma família que delira com os golos marcados pelo Sporting e sofridos pelo Benfica, que grita todos os dias com a mulher-a-dias e que não sabe explicar ao filho o que é uma raíz quadrada. Para além de tudo isto gostam de falar alto (não, não tenho lá escutas, basta não ter a televisão ligada).

E todas as minnhas esperanças de que o tempo traga uma sociedade mais informada caem por terra. Porque este miúdo vai acabar bêbedo a trabalhar para a CAIS, ou tornar-se jogador de futebol e gastar milhões em terapia ou vai ser Kafka. Ou, se tiver muita sorte, vai atirar tomates e ovos à Ministra da Educação, receber uma palmadinha nas costas por parte do pai, perceber que nasceu para a política e tornar-se primeiro-ministro.

E até consigo perceber porque é que a Manuela FL disse o que disse.
Também aposto que o meu vizinho jamais diria algo tão... sórdido, para não dizer merdoso.

Lemas de vida

Ontem fui confrontada com duas frases da nossa cultura popular que podiam muito bem ser dois lemas de vida:

"Mais vale uma mão inchada do que uma enxada na mão."

"São muitos anos a virar frangos."

Qual das duas me ajudará a ascender a Manager de uma coisa qualquer?
(Manager antes dos 35... esse derradeiro objectivo de vida, esse barómetro social que me foi tão generosamente dado a conhecer no decorrer de uma aula)

Monday, November 3, 2008

Como melhorar as notas de língua portuguesa

Alguns factos sobre Pessoa, caso alguma vez precisem de convencer um filho, irmão mais novo ou aluno de que um heterónimo não é um molusco pré-histórico e que é possível estudar a Mensagem sem recorrer ao livrinho da Europa-América:

- Fumava 40 cigarros por dia

- Conta-se que foi apanhado várias vezes a masturbar-se em frente aos manequins das lojas da rua Augusta

- Os Moonspell, que são uma banda muito fixe e muito dark, têm uma música fabulosa inspirada no seu vício por ópio

Se isso não chegar, digam-lhes para desistirem da escola e voltarem daqui a uns anos com o programa novas oportunidades.

E... é só o meu mau feitio ou quando andam pelo Chiado e vêem alguém a fazer-lhe festas na cabeça também vos dá uma forte vontade de fulminá-los (o alguém, mais a estátua, mais a alma que teve a brilhante ideia de lá pôr a estátua)?

Strange kind of thinking

"Se eu fumasse, acenderia agora um cigarro, a olhar o rio, pensando como tudo é vago e vário. Assim, não fumando, apenas pensarei que tudo é vário e vago, realmente, mas sem cigarro, ainda que o cigarro, se o fumasse, por si mesmo exprimisse a variedade e a vaguidade das coisas, como o fumo, se fumasse."

Estranho, vago, descabido e irresistível. Tal como o Strange kind of love que vai ecoando para fora das quatro paredes da minha casa e da minha pessoa.

Grande senhor. Grande concerto.